A conversão de São Paulo de Tarso
Todos já ouvimos a expressão "cair do cavalo", ela nos recorda que o nosso ego, nosso orgulho, nossa confiança nas casas de areia que construímos, nos levará a um tombo marcante, mas ao mesmo tempo transformador. Foi o que aconteceu com Saulo a caminho de Damasco, ele se viu surpreendido por uma Luz que, antes de o fazer enxergar as verdades espirituais desta vida como nenhum outro homem, o deixou cego e desorientado por uns dias. Desorientado por que urgia no espírito do cidadão uma sede insaciável de sentido e felicidade, oculta aos seus olhos, pois "morrestes e vossa vida está escondida com Cristo em Deus" ( Cl 3,3 ), restando ao homem somente procurá-la incessantente num mergulho sem retorno e cada vez mais profundo nos mistérios do amor de Deus por nós.
Me comove muito a conversão de Saulo em Paulo o Apóstolo, ali Deus demonstrou com clareza e firmeza que não há aparato intelectual, orgulho, pecado ou intenção que, por pior que seja, não se possa converter em graças pelas mãos de Nosso Jesus Cristo, ou melhor, pelo poder de seu nome. Afinal, "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada?" ( Rm 8,35 ). Deus utilizou do melhor que havia dado a Paulo -- "Pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis" ( Rm 11,29 ). De imediato, o homem começou a pregar pelas comunidades cristãs confundindo os corações soberbos, arrogantes, vingativos, exortando, ensinando e defendendo as verdades da fé com muito mais coragem, ousadia, sabedoria e determinação do que as tinha perseguido, pois "onde abundou o pecado superabundou a graça" ( Rm 5,20 ). E a sua culpa? Sua culpa fica apenas no coração dos miseráveis acusadores, rancorosos, vingativos e assassinos, por que, havendo Deus o perdoado e ungido, Paulo pode dizer com segurança: "Irmãos, não penso que eu mesmo já tenha conseguido isso, mas uma coisa eu faço: esquecendo o que fica para trás eu me lanço para o que está na frente, corro em direção à meta, em vista do prêmio ao chamado do alto, prêmio que vem de Deus em Cristo Jesus" ( Fl 3, 13 ).
Paulo sofreu muito, as pessoas duvidaram de sua conversão, queriam assassiná-lo, mas isso não estava nos planos do Senhor, não antes de concluída a sua missão, o seu legado gigantesco de sabedoria e santidade.
Sem soberba Paulo seguiu os caminhos de Jesus, sabendo que era somente pó e cinza, incapaz de agir sem o auxílio do próprio homem Deus: " não sou eu quem vivo, é Cristo que vive em mim..." ( Gl 2,20 ). Deixando, assim, o poder de Nosso Senhor atuar no vazio de sua miséria "pois quando sou fraco, então é que sou forte" ( 2 cor 12,10 ), quando sei que não sendo nada e não tendo forças para fazer o bem por mim mesmo -- "Com efeito, eu não faço o bem que quero, mas pratico o mal que não quero" ( Rm 7, 19 ) -- eu deixo a ação divina me guiar, pois a reconheço bem maior que meus limites. "Mas em todas essas coisas somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou" ( Rm 8,37 ), pois a vida cristã é luta, desafio, sacrifício, renúncia, perseguição, e mesmo assim nada pode arrancar-nos a esperança do céu: "E a esperança não decepciona, pois o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" ( Rm 5,5 ).

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