Certezas Imbecis

Nós, humanos, somos seres assertivos, buscamos sempre estar certos de algo, porque essa sensação nos fornece segurança para estabilizar o status quo e fazer planos para o futuro. Algumas das certezas que adotamos ao longo da vida, podem, porém, nos trazer uma falsa sensação de tranquilidade que desabará facilmente sobre nossas cabeças quando os ventos forem contrários. São opções que fazemos consciente e inconscientemente, influenciados por forças externas e internas, mas que, por buscarem ser um alívio para algumas realidades ou problemas, às vezes nos levam exatamente ao contrário, agravando crises sem necessidade.

A certeza de que veremos as pessoas que amamos novamente amanhã ou depois, por exemplo, se mostra falsa porque não conhecemos o futuro. O que não nos impede, no entanto, de arriscá-lo em coisas vãs, mesmo tendo uma visão previsível de desastre. Por mais que isso seja óbvio, ainda assim agimos o tempo inteiro como se soubessemos o que virá. Guardamos, soberbamente, a arrogância de achar que vai ser como imaginamos ou queremos. Firmes e certos do amanhã, vamos cometendo erros que poderíamos evitar facilmente, tratamos as pessoas mal, procrastinamos necessidades, não resolvemos as pendências urgentes, os problemas nos relacionamentos, fazemos opções triviais ao invés de escolher o que importa realmente. Essa mesma noção vale para as oportunidades únicas que perdemos por covardia e burrice, jamais se repetirão. Arrependimento, saudade e nostalgia são os frutos amargos e impiedosos de tal demência

Outra certeza imbecil, é a sensação de já ter conquistado alguma coisa nesta vida definitivamente. As coisas mais importantes são conquistadas todos os dias, desde o dinheiro às pessoas que amamos. O sim que vale não é o inicial nas grandes decisões, mas os que reafirmam esse primeiro diante das dificuldades de cada dia, até o último. 

É, também, uma imbecilidade descomunal, o sentimento de posse sobre qualquer coisa material ou imaterial. Já diz o ditado: "desta vida nada se leva", nem mesmo nosso corpo nos pertence. Depois, só resta lembrança, memória, legado. Existem muito mais de onde vieram essas, a tendência é nos desfazermos delas gradualmente, no ritmo que a maturidade e a sabedoria nos levarem. Alguns morrem com essas ilusões, coitados.

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