Os 5 Ss
1- O Silêncio
1.1. Quem sabe calar a boca evita muitos males desnecessários que rodeiam a vida dos linguarudos de plantão: guarda seus segredos e os alheios, mantém em sigilo seus planos e fraquezas, não tem necessidade de mentir, se justificar, ofender, enganar, etc. Coisas de que os boca-abertas da vida sofrerão as consequências por não serem capazes de evitar. Aqui falaremos do silêncio como virtude, visto que esse pode se tornar, na minoria esmagada das vezes, um incoveniente. Esse hábito será, porém, 99% da vezes um bom aliado, indispensável para quem quer ser bem sucedido na vida em geral.
1.2. A importância do silêncio reside no fato de que precisamos avaliar bem o que se dirá, pois ninguém, em sã consciência, prentende deixar a impressão contrária da mensagem que almeja comunicar ( salvo nos casos de sarcasmo e irônia, em que transmitir a ideia contrária do que se afirma é intencional ). O que, no entanto, não garante o sucesso na comunicação, pelas falhas que nos podem ocorrer como a precipitação na fala, a ansiedade, o famoso "deu um branco", a ambiguidade e outros erros de menor relevância.
1.3. Não é, contudo, apenas diante das outras pessoas que o silêncio precisa ser cultivado. Diante de nós mesmos ele é bem mais importante, o seu papel na formação de nossa personalidade não é dos menores. Os seres humanos têm necessidade vital de prestar atenção ao que a vida quer lhe dizer, às mensagens de Deus, o que só é possível mediante a quietude e paz de espírito suficiente para discernir tais realidades, só o silêncio bem administrado permite ver as coisas com clareza sem as misturar com as próprias ilusões ou alheias. Os exercícios que mais nos ajudam neste sentido são a meditação, a contemplação e a oração; num período curto de tempo podemos nos perceber parte de algo muito maior, o que nos liberta do estresse, euforia e agitação cotidianas.
1.4. Os benefícios de saber silenciar em momentos específicos como a meditação e a oração, não se esgotam nesses hábitos mesmos, mas transbordam pela vida como um todo. Quem tem prática nestas atividades é, evidentemente, com dados científicos demonstrados, inclusive, alguém mais equilibrado e sadio.
Obs: O silêncio recomendado aqui não é o dos "inocentes", dos tímidos, dos fracos e covardes. Que se acanham, recuam, inibem, e se assustam com qualquer circunstância de fala em público, ou momentos importantes e decisivos. Este tipo de atitude, além de inútil, é autodestrutiva, pois fecha o sujeito num abismo que só cresce cada fez que ele escolhe calar.
Falamos neste texto do silêncio dos sábios. Aquele que, mesmo em meio ao caos informativo que nos cerca hoje em dia, não cessa de buscar um ponto em que se manter seguro da verdade, na paz, tranquilidade, e evita os males evitáveis. Que pesam o quando, o como, a quem e onde dizer, para fazê-lo do melhor jeito.
2- O Serviço
2.1. Assim define a palavra serviço o dicionário digital Dicio: "4. Produto da atividade do homem destinado a satisfação de necessidades humanas, mas que não apresenta o aspecto de um bem material...". Dito dessa forma, compreendemos bem a precisão da máxima: "Quem não vive para servir não serve para viver". Nascidos para a atividade -- tanto física quanto mental --não é possível a nós, seres dotados de intencionalidade desde os atos mais simples, sermos felizes sem atingir a finalidade natural das conquistas humanas, quais sejam: sonhos, vitórias, superações, e realizações de toda sorte. O esforço por agir nesta direção, assume, paralela e necessariamente, a face do serviço.
2.2. Servir significa ter algo a oferecer, doar algo de si, algo pessoal, um legado, um gesto, um produto. Isso se faz por meio de caridade, esmola, filantropia, trabalho, altruísmo, empatia, etc. Se você não faz nada disso e se sente uma pessoa incrível, liga não, é só o seu ego lhe iludindo. Não seja peguiçoso, não mais! Tenha algo a oferecer, algo concreto, real, palpável, pois é isso que o serviço -- ipso facto -- faz, dá substância, chão, fundamento aos seus ideais mais nobres. E aí não será mais uma questão de se ver como alguém do bem meramente, mas SER, de fato, esse alguém. Você vai até esquecer essa mania de fantasiar sua heroicidade com ações puramente mentais e inúteis.
2.3. Se avaliar bem sua vida, neste momento mesmo em que lê este texto, perceberá que existe uma constelação de ações possíveis a sua volta, dentre obrigações cumpridas e outras negligenciadas ou procrastinadas. Há algumas que lhe despertam mais interesse, há outras que são enfadonhas, desafiadoras e desnecessárias, porém, são iminentes. A dica é simples: utilize, na escolha de suas ações prioritárias, o critério de quais delas lhe fará alguém melhor no final do dia. Aqui as obrigações simples como lavar roupa, lousa, concluir planos e tarefas predefinidas, fazer o bem, exercem papel fundamental. Jamais deixe que os sentimentos de inutilidade e fracasso, que por vezes acossam até a mais servil das almas, lhe tirem a certeza de que há algo que só você pode fazer por si mesmo a cada instante.
3- O Sofrimento
3.1. O Sofrimento não é sinônimo de Thanos, mas é inevitável. Não dá pra fugir de situações dolorosas por muito tempo. Por isso é importante aprender a lidar com as dificuldades de uma maneira que mesmo as mais adversas situações se tornem fonte de aprendizado e melhora. Doenças, dramas, acidentes, crises, injustiças, perdas, fracassos, tudo isso tem um ponto que pode servir de trampolim para a sua maturidade e desenvolvimento pessoal.
3.2. Saiba eleger bem suas dores, analise se o que lhe faz sofrer hoje não é simplesmente a consequência de suas escolhas, como o quê e quem você decidiu se importar. Acredite, a maior parte do seu sofrimento vem de seus apegos desordenados à pessoas, coisas, ou até a si mesmo, ou seja, não passa de egoísmo puro e simples. Em algumas circunstâncias podemos escolher os riscos que preferimos correr, ex: você prefere sofrer por se humilhar agora diante das pessoas que ama e pedir perdão, reconhecer seus erros e dizer o que tem pra dizer, ou depois, quando tais pessoas morrerem e não puder fazer mais nada? Você prefere arriscar-se ao ridículo pelos seus sonhos hoje ou ter medo de tentar e ficar na zona de conforto? De qualquer modo, dá pra escolher que dor você prefere nas questões simples. A vida, porém, não é simples e lhe forçará a sofrer bem mais do que você gostaria. Saber lhe dar com isso -- a vida como um mar de espinhos -- é o que lhe tornará mais forte.
3.3. A filósofa fenomenóloga católica Santa Teresa Benedita da Cruz ( Edith Stein ), traduz bem o que é a vida na frase: "A cruz serve de bastão para acelerar a marcha para o cume". A cruz, na simbologia católica, representa o sofrimento, o fardo, o sacrífico, a doação e a salvação. E ensina que é necessário saber levar sobre si o peso da existência. Note bem a precisão desta frase: o sofrimento serve para acelerar, ou seja, lhe impulsionar com muito mais vigor, força, determinação e pressa ao destino, afinal, você não quer ficar sofrendo, quer chegar logo no fim. O fim é o cume, o topo, o ponto mais alto. A personalidade humana só se desenvolve plenamente -- só alcança seu ponto mais alto de maturidade -- sofrendo, aprendendo, assimilando, conforme as experiências, não só as ruins, é claro, mas principalmente elas.
4- O Sentido
4.1. Vazio existencial, depressão, tédio, ausência de objetivos, sonhos, metas e amores, são sinais de ausência de sentido. A vida precisa ter um rumo definido, um que nos transcenda e envolva ao mesmo tempo, um que nos leve além, que nos preencha de motivação e nos faça acreditar, chamamos a isso de sentido da vida. Aquela força que nos leva em direção a alguma realização importante, pela qual superamos as piores situações, suportamos as piores dores, aceitamos os piores flagelos.
4.2. Viktor Frankl, pai da logoterapia, disse que podemos encontrar o sentido da vida de três modos: 1. criando um trabalho ou praticando um ato; 2. experimentando algo ou encontrando alguém; 3. pela atitude que tomamos em relação ao sofrimento inevitável.
No primeiro ponto a chave é ter um projeto, um sonho, algo de importante que se produzir. O segundo consiste na experimentação de coisas fascinantes como o amor a alguém, na apreciação da arte, cultura, do bem e do belo, etc. O terceiro em aprender a sofrer e extrair daí seus próprios motivos para crescer e seguir. Esses são os pontos para se alcançar o sentido da vida quando nos sentirmos imersos num mar de trevas, lembre-se disso. O livro "Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração", do autor supracitado, aliás, fica como recomendação especial e indispensável.
Obs: Não seja bocó, não se vive sem sentido. Por mais que o tenha hoje, a própria dinâmica da vida pode mudar isso amanhã. Se cuide, não deixe de aprender um pouco mais e ouvir bons conselhos. Um dia serão úteis.
5- A Sabedoria
5.1. Não é clichê vazio, é a pura essência do que significa ser feliz. A Sabedoria para alguns tem nome: Jesus. Não se afobe, contudo, se você não é cristão. Ser sábio é uma questão de pesar bem aquilo que realmente vale a pena conservar ou descartar nesta dura e breve forma de existência que chamamos vida. Hoje em dia se imagina com muita comédia, desprezo e irrelevância o tema da sabedoria. Nada mais estúpido! Essa bobeira começou com ideologias materialistas que não concebem nada além da baixa capacidade de suas cabeças promíscuas. Esvaziar o conceito de sabedoria de seriedade não tira, ainda assim, o papel fundamental que só o objeto real de sabedoria cumpre: o de levar o ser humano ao pleno desenvolvimento de suas potencialidades.
Obs: Existem várias definições de sábio correntes pelas ruas, mídias, enfim... Não deixe que estas, por serem as vezes demasiado vagas ou abstratas, lhe impeçam de enxergar, por si mesmo, aquilo que está além do alcance de qualquer definição. Tudo de bom que se absorve, que se aprende, que nos muda para melhor, que nos expande os horizontes, é, no fim, um componente de sabedoria.
S Extra: A Salvação
Já foi dito acima que não interessa sua religião. Salvação fica aqui como a mais importante missão que cada ser humano deve realizar. Seja salvar a sua alma, a dos seus familiares ou de qualquer outro. Se você acha que não tem alma, sabe que tem, sem dúvida, algo que salvaria. Seja a donzela que ama, os bens que guarda, a família, a própria vida, etc. Vivemos para preservar aquilo que consideramos importante, lutamos por isso.
Às vezes somos quem precisa ser salvo. Às vezes somos de quem precisam se salvar. Mas salvação sempre será uma palavra importante no vocabulário dos dramas que vivemos. Bem, seja no que você estiver apostando, desejo que obtenha êxito.

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